domingo, 1 de dezembro de 2013




Uma mulher canadense numa cadeira de rodas teve a sua entrada para os Estados Unidos negada nesta semana, por ter sido diagnosticada anteriormente com depressão clínica. Agora ela quer saber por que o Departamento de Segurança Nacional dos EUA tinha seu histórico médico arquivado.

Valerie Hauch do Toronto Star  relatou na quinta-feira que a escritora Ellen Richardson de 50 anos de idade foi mandada embora do aeroporto da cidade de Pearson três dias antes, depois que autoridades do DHS [Department of Homeland Security - Departamento de Segurança Nacional] disseram que ela não tinha a autorização médica necessária atravessar para os EUA.

"Eu fui encaminhada a ir embora, disseram-me, porque eu tive uma internação no verão de 2012 por a depressão clínica,'' Richardson contou ao Star.

A mulher, que está paraplégica desde uma tentativa frustrada de suicídio em 2001, estava planejando voar para Nova York para começar um cruzeiro de 10 dias pelo Caribe, em colaboração com o grupo March of Dimes, e já tinha investido cerca de 6,000 dólares para a viagem, ela disse ao jornal.

"Fiquei muito horrorizada. Eu estava dizendo, 'Não entendo isso. Qual é o problema?' Eu estava tão ansiosa para ir... Eu até havia trazido um pouco de corda pisca-pisca de Natal que eu ia amarrar na cabine... Eu não posso simplesmente fazer outra reserva imediatamente", disse.

Mas de acordo com o que as autoridades americanas disseram a ela,  seria necessária a autorização de um médico aprovado pelo governo americano e cerca de 500 dólares em honorários, a fim de entrar no país. Richardson logo deixou o aeroporto frustrada, mas só depois ela começou a questionar o que o DHS sabia sobre ela.

"Isso realmente me pegou mais tarde - que é bastante impressionante eles terem essa informação", disse à CBC.

Richardson disse que esteve em vários cruzeiros desde 2001, e viajou pelos EUA em todos eles. Somente nesta semana, no entanto, que o DHS mencionou a internação em junho de 2012, gerando dúvidas sobre quanta informação pessoal as autoridades americanas possuem de pessoas estrangeiras.

De acordo com Richardson, o agente de fronteira disse a ela que a Lei de Imigração e Nacionalidade dos EUA permite que o governo negue a entrada de qualquer pessoa com alguma doença física ou mental que pode representar uma "ameaça para a propriedade, segurança ou bem-estar", e que seu "episódio de doença mental'' do ano passado justifica a atenção extra.

"O incidente em 2012 foi uma hospitalização por depressão. A polícia não foi envolvida'', disse o advogado David McGhee ao Star, acrescentando que ele abordou a Ministra da Saúde de Ontário Deb Matthews também "para ela me dizer se tem conhecimento de qualquer autoridade estadual ou federal permitir que as autoridades norte-americanas tenham acesso aos nossos registros médicos"

"Os prontuários médicos supostamente são estritamente confidenciais", disse McGhee.

"Nós não sabemos o quão profunda é a relação entre as aduaneiras dos EUA e as autoridades canadenses", o membro do Parlamento de Richardson, Mike Sullivan, disse à CBC.

Com sua história se tornando rapidamente viral, no entanto, outros esperam encontrar em breve o escopo completo dos dados que estão sendo gerenciados pelo DHS.

"Isso é assustador", o MPP [Master of Public Policy?] France Gelinas disse ao Star numa continuação publicada sexta-feira pela manhã. "Eles têm acesso a informações que nunca deveriam ter sido acessíveis a qualquer pessoa."

"Os canadenses devem estar assegurados que seus registros pessoais são mantidos em sigilo, como previsto", Sullivan acrescentou ao último informe de Hauch.

Como a RT relatou anteriormente,  os funcionários da Administração de Segurança dos Transportes do DHS, ou TSA [Transportation Security Administration], têm acesso a grandes bancos de dados, tanto do governo federal como de gestão privada, que contêm informações sobre viajantes, incluindo os números de identificação fiscal, itinerários passados e até mesmo características físicas.

Quanto a visitas hospitalares em outros países, no entanto, Richardson e outros geralmente esperam que a informação não esteja em arquivo.

De acordo com a repórter do Star, Jack Lakey, um funcionário do Ministério da Saúde de Ontário, disse quinta-feira que as autoridades dos EUA "não têm acesso aos registos médicos ou  a outros registros de saúde de residentes de Ontário viajando para os EUA."

"Se a província não entregou conscientemente a informação, só deixa o governo federal como origem, possivelmente em algum tipo de compartilhamento de informações em acordo com os EUA que supostamente não é para nós sabermos a respeito", Lakey especulou. "Dada a sua cumplicidade revelada recentemente ao permitir que os EUA espionassem líderes do G8 e do G20, quando se reuniram aqui em 2010, não é exagero acreditar que Ottawa também está 'jogando bola' com eles sobre isso."


Tradução: Brasil Que Pensa
Fonte: RT - Canadian denied entry to the US after agent cites private medical records

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